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Política Polêmica da semana

Fim da escala 6×1 põe Lula e Flávio Bolsonaro em teste no Senado

A proposta de redução da jornada vai a plenário às vésperas da votação popular e força as campanhas rivais a definirem suas estratégias.

Por Redação Agência News
Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil via Wikimedia Commons (CC BY 2.0), recortada

A disputa pelo Palácio do Planalto no segundo turno ganhou um embate direto neste domingo, 11 de outubro de 2026. Durante ato público de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a votação em primeiro turno da PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6×1, está agendada para quarta-feira, 14 de outubro de 2026, no plenário do Senado Federal. A declaração foi noticiada pelo portal R7 e pela Folha de S.Paulo com o UOL.

O calendário havia sido oficializado em 9 de outubro de 2026 pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, restando o cumprimento das duas últimas sessões de discussão exigidas pelo regimento. A Proposta de Emenda à Constituição propõe diminuir o limite semanal de 44 para 40 horas de trabalho, garantindo dois dias de repouso remunerado, com redução escalonada: 42 horas após 60 dias da promulgação e 40 horas decorridos 12 meses. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no início de setembro de 2026.

A pressão da campanha governista

Durante o evento em São Paulo, Lula cobrou publicamente a posição dos adversários sobre a matéria. O petista declarou ao público que os parlamentares de oposição precisam se posicionar antes da votação popular de 25 de outubro de 2026.

“Isso já foi tratado com o senador Alcolumbre e a data da votação já está marcada. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se terá coragem de votar contra ou a favor. É só isso. O PL tem que dizer se é favorável a que os trabalhadores descansem mais ou se quer que continuem trabalhando mais”, disse Lula.

O coordenador da campanha e senador Camilo Santana afirmou à imprensa que o objetivo da base aliada é acelerar a tramitação: “Nós vamos votar, não tenho dúvida. Vamos apresentar a proposta do calendário especial na quarta-feira.” O plano governista busca aprovar o texto nos dois turnos regimentais até 15 de outubro de 2026.

A estratégia da oposição e a posição de Flávio Bolsonaro

Do outro lado, parlamentares de oposição aliados ao senador Flávio Bolsonaro buscam adiar a votação para depois do pleito eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, a senadora Tereza Cristina chegou a conversar com Davi Alcolumbre para tentar segurar a análise da proposta, sem sucesso até este domingo.

Flávio Bolsonaro sustenta divergência em relação ao formato apresentado pelo governo. O candidato à Presidência defende um modelo de contratação com remuneração por hora trabalhada e direitos proporcionais, alertando para os impactos econômicos nos custos de funcionamento de empresas e pequenos negócios.

Disputas na Justiça Eleitoral

O tema também provocou movimentações no Tribunal Superior Eleitoral. Em 7 de outubro de 2026, o vice-presidente da corte, ministro André Mendonça, negou um pedido de liminar de Flávio Bolsonaro para suspender propaganda do PT que o apresentava como contrário ao fim da jornada 6×1. O ministro destacou que “a caracterização política de sua posição como contrária ao ‘fim da escala 6×1’ pode ser considerada reducionista, parcial ou excessivamente simplificadora, mas não se revela, de plano, dissociada de qualquer elemento da realidade.”

Dois dias depois, em 9 de outubro de 2026, os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques mandaram retirar do ar conteúdos petistas e de parlamentares que atribuíam ao senador a intenção de criar jornadas de 7 dias consecutivos ou cortar direitos que não constam de seu plano de governo. No mesmo contexto de embates judiciais, Kássio Nunes Marques determinou neste domingo a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula” após representação da coligação adversária.

O que ainda está em jogo

Para que a PEC entre em vigor, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em duas votações distintas. Até o momento, não há confirmação de que a base governista alcance esse número antes de 25 de outubro de 2026, nem qual será a orientação oficial de voto da bancada do PL durante a sessão.

A pauta mexe diretamente com o cotidiano de quem bate ponto e com a rotina de quem emprega no país. E você, de que lado fica nessa discussão?

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