Jorge e Mateus têm shows de Réveillon cancelados e cantor reage
Apresentações de fim de ano no Nordeste foram suspensas após pressão popular nas redes, e sertanejo foi a público rebater acusações sobre a região.
O cantor Jorge publicou uma nota de esclarecimento em seu perfil no Instagram nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, para negar acusações de que teria feito comentários ofensivos contra a região Nordeste ou contra a população local. O posicionamento veio após as prefeituras de Fortaleza e do Recife cancelarem as apresentações da dupla Jorge e Mateus nas festividades públicas do Réveillon de 2026 para 2027.
O pronunciamento do cantor
Na publicação, Jorge ressaltou o carinho que mantém pelo público nordestino e fez questão de frisar que a manifestação política recente era de caráter estritamente pessoal, sem envolver o parceiro de palco.
“Nunca fiz essas declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito”, escreveu o artista no comunicado. Ele completou: “Faço esse esclarecimento em meu nome, por se tratar de uma situação relacionada a mim, e não ao Mateus ou à nossa trajetória como dupla”.
O músico também fez elogios diretos à tradição cultural da região: “Tenho uma gratidão imensa pelo povo nordestino, por sua cultura, sua história e por tudo que essa região representa para a música brasileira e para a minha própria caminhada”.
No encerramento da mensagem, divulgada com os comentários desativados, Jorge defendeu a tolerância entre posicionamentos diferentes: “Respeito as diferentes opiniões e acredito que, acima de qualquer divergência, devem prevalecer o diálogo, a empatia e o respeito”. Em seguida, afirmou: “Independentemente de qualquer diferença, meu desejo é que o nosso país esteja bem, que as pessoas estejam bem e que nunca percamos o respeito uns pelos outros”.
Cancelamentos nas capitais e origem da crise
As decisões de cancelar as apresentações da dupla foram comunicadas na terça-feira, 3 de novembro de 2026, pelos prefeitos Evandro Leitão (PT), de Fortaleza, e Victor Marques (PCdoB), do Recife, por meio de vídeos divulgados em redes sociais. De acordo com o Estadão e o G1, o movimento ocorreu após usuários mobilizarem mensagens nos perfis oficiais cobrando a exclusão dos sertanejos das grades públicas de fim de ano, utilizando frases como “não são bem-vindos em Fortaleza e Recife” e “respeitem o Nordeste”.
“E é justamente por esse motivo que não há mais clima para a apresentação da dupla Jorge e Mateus dentro da nossa programação”, declarou o prefeito Victor Marques ao anunciar o cancelamento na Virada Recife, que teria apresentação na Orla do Pina. Em Fortaleza, a dupla estava escalada para o Aterro da Praia de Iracema.
A mobilização contra as apresentações ganhou força após o segundo turno da eleição presidencial de 2026, quando voltou a circular uma gravação feita no dia 20 de outubro de 2026. Na data, Jorge esteve na fazenda do senador Wilder Morais (PL-GO), em Nerópolis (GO), durante encontro de músicos sertanejos em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), ocasião em que entoou uma paródia com o verso: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.
Boatos sem registros e situação em Salvador
Nas redes sociais, circularam relatos atribuindo a Jorge declarações xenófobas contra a população do Nordeste. Contudo, conforme reportagem publicada pelo UOL, as assessorias das prefeituras de Fortaleza e do Recife confirmaram que não receberam nem identificaram nenhum vídeo com falas discriminatórias do cantor.
Ao contrário dos municípios pernambucano e cearense, a prefeitura de Salvador manteve os planos para o Réveillon. De acordo com informações do Bahia Notícias e do Metrópoles, o prefeito da capital baiana, Bruno Reis (União Brasil), manifestou-se a favor da permanência de Jorge e Mateus no Festival Virada Salvador.
Até o momento, não foram anunciados os nomes dos artistas que substituirão a dupla Jorge e Mateus nas programações oficiais do Recife e de Fortaleza. Também não há definição sobre valores de distrato ou eventual aplicação de multas rescisórias pelos contratos cancelados.





